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Business Intelligence12 min de leitura

Dashboard Logística no Power BI: KPIs, layout e o que medir

Como montar um dashboard logística Power BI: os KPIs como OTIF e custo de frete, o layout por camada, as fontes TMS, WMS e ERP e medidas DAX na prática.

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A maioria dos painéis de logística falha no layout, não no dado

Depois de dezenas de projetos, aprendi uma coisa incômoda: o que quebra um painel de operação raramente é a fórmula do indicador. É a tela. O time investe semanas conciliando TMS, WMS e ERP, monta as medidas certas e no fim entrega uma página com dezoito visuais brigando por atenção, três cores que não querem dizer nada e um OTIF perdido no canto inferior direito. O gestor abre uma vez, não encontra o que precisa em cinco segundos e volta para a planilha. Um bom dashboard logística Power BI resolve o problema oposto: ele decide o que mostrar, para quem, e em que ordem de leitura.

Este texto é a parte prática. Se você quer o mapa completo de indicadores e integração de fontes, ele complementa nosso guia de BI para logística. Aqui o foco é montar a coisa: quais KPIs entram, como organizar as telas por camada de decisão, de onde vem cada dado e como escrever as medidas DAX que sustentam OTIF e custo por entrega sem armadilha.

Os KPIs que precisam estar no painel, e por quê

Antes de abrir o Power BI, feche a lista de indicadores. Painel de logística que tenta medir tudo não mede nada. Na prática, seis KPIs cobrem as três dimensões que importam na operação: nível de serviço, custo e produtividade. Se um indicador não cabe em uma dessas três gavetas, ele provavelmente não pertence à tela principal.

KPIDimensãoO que respondeFonte típica
OTIFNível de serviçoA entrega chegou no prazo e completa?TMS, ERP
Lead timeNível de serviçoQuanto tempo do pedido à entrega?ERP, TMS
Custo de frete sobre faturamentoCustoQuanto o frete pesa na receita?TMS, ERP
Ocupação de veículoProdutividadeQuanto da capacidade foi usada?TMS
AvariasCustoQuanto se perde por dano?WMS, TMS
Giro de estoqueProdutividadeO estoque circula ou empoça?ERP, WMS

OTIF (On Time In Full) é o indicador rei do nível de serviço. Ele mede o percentual de entregas feitas no prazo e completas ao mesmo tempo. O detalhe que derruba muita gente é que ele é multiplicativo: uma entrega no prazo, porém incompleta, não conta como OTIF. Vale sempre expor On Time e In Full separados ao lado do consolidado, porque a causa da queda mora aí. On Time bom com In Full ruim aponta gargalo de estoque ou separação, não de transporte.

Lead time é o tempo total do pedido à entrega, e o erro comum é medir só a ponta. Ele é a soma de etapas: processamento, separação, expedição, trânsito. Quebrar por etapa é o que revela onde o tempo se perde.

Custo de frete sobre faturamento conecta o físico ao financeiro. O cuidado é temporal: o frete de uma entrega pode ser faturado num mês diferente da venda, e comparar os dois exige um modelo de datas resolvido.

Ocupação de veículo mede quanto da capacidade contratada foi de fato usada, em peso ou cubagem. Rodar caminhão com ocupação baixa é queimar margem, e costuma ser o indicador que paga o projeto mais rápido.

Avarias medem perda por dano no manuseio e no transporte. Giro de estoque mede quantas vezes o estoque circula no período, ou seja, se o capital parado está trabalhando ou empoçando no armazém. Os dois entram na conta de custo e produtividade, e quando ganham histórico no painel mudam comportamento de time.

O layout separa nível de serviço, custo e produtividade

Aqui está a parte que quase ninguém trata com o cuidado devido. Um painel não é uma pilha de gráficos, é um percurso de leitura. O olho de quem lê em português varre a tela de cima para baixo e da esquerda para a direita, então o canto superior esquerdo é o ponto mais nobre. É lá que vai o número que importa mais para aquela audiência, não o logo da empresa.

A organização que funciona separa as três dimensões em blocos visuais claros, na mesma ordem em todas as telas: nível de serviço em cima, custo no meio, produtividade embaixo. Quando o gestor troca de página, ele já sabe onde procurar. Consistência de posição reduz a carga mental mais do que qualquer paleta bonita.

Além disso, um painel de logística não deve ser uma tela só. Ele funciona em camadas, uma por público:

CamadaPúblicoO que mostraNível de detalhe
ExecutivaDiretoria, comercialOTIF consolidado, custo de frete sobre faturamento, tendência mensalAlto, poucos números grandes
TáticaGerente de operaçãoLead time por etapa, ocupação por rota, giro por CDMédio, comparações e filtros
OperacionalSupervisor de armazémAvarias, inventário, produtividade de separaçãoBaixo, detalhe por ocorrência

A camada executiva tem que caber num relance: três ou quatro números com meta e tendência ao lado, nada mais. A tática é onde vive o gerente na reunião diária, com capacidade de filtrar por rota, transportadora e centro de distribuição. A operacional é a que permite clicar no indicador ruim e chegar até a entrega ou a nota específica. Sem esse detalhamento, o painel só gera reunião, não gera ação.

Alguns princípios de layout que valem a briga com o cliente:

  • Um dono por indicador. Se o OTIF caiu, tem que estar claro quem age. Indicador sem dono vira decoração.
  • Contexto junto do número. OTIF de 92 por cento não diz nada sozinho. Ao lado da meta e da variação contra o mês anterior, diz tudo.
  • Cor com significado, não com decoração. Reserve vermelho e verde para status contra meta. Se tudo é colorido, nada chama atenção.
  • Menos telas, mais foco. Dez abas com tudo equivalem a nenhuma. Cada página responde a uma pergunta.
  • Espaço em branco é recurso, não desperdício. Visual grudado em visual cansa e esconde a hierarquia.

Se você quer ver exemplos de como estruturamos esse tipo de entrega na prática, vale olhar nossa página de dashboards.

As fontes: TMS, WMS e ERP, e a chave que amarra tudo

Nenhum desses indicadores nasce no Power BI. Eles nascem nos sistemas transacionais da operação, e entender esse mapa é metade do trabalho.

O TMS (Transportation Management System) governa o transporte: planejamento de rota, documentos de frete, acompanhamento de entrega e ocorrências. É de onde saem prazo, custo de frete, ocupação e parte das avarias em trânsito. O WMS (Warehouse Management System) governa o armazém: recebimento, endereçamento, separação, expedição e inventário. É a fonte de avarias de manuseio e dos dados que alimentam giro e acuracidade. O ERP amarra o lado corporativo: pedido, nota fiscal e faturamento, que dão o sentido financeiro dos indicadores.

O trabalho pesado é conciliar os três. Um mesmo pedido tem um número no ERP, outro identificador no WMS e um terceiro no TMS. Sem uma chave de conciliação consistente, o painel não fecha, e o gestor perde a confiança no primeiro número que não bate com a planilha dele. Esse problema se resolve na camada de dados, não no visual. É por isso que um projeto de logística quase sempre passa por engenharia de dados antes de virar relatório: alguém precisa carregar, limpar e conciliar as três fontes num modelo estável antes da primeira medida.

Conectar o Power BI direto no banco de cada sistema funciona no piloto e quebra em produção. Bancos transacionais de TMS e WMS não foram feitos para consulta analítica pesada, e rastreamento gera milhões de linhas. O caminho durável é ter uma camada intermediária, um data warehouse ou lakehouse, onde os dados chegam conciliados e o Power BI lê de lá.

Boas práticas de DAX começam pelo modelo, não pela medida

Antes de escrever DAX, arrume o modelo. O motor do Power BI é o VertiPaq, colunar e em memória, que comprime por cardinalidade da coluna. Colunas com muitos valores distintos, como um timestamp com segundos ou um ID longo, comprimem mal e incham o modelo. Em logística isso importa demais. Um esquema estrela, com uma tabela de fatos de entregas cercada por dimensões de calendário, cliente, transportadora e produto, é o que separa um painel que atualiza em segundos de um que trava. Se você quer se aprofundar, escrevemos um material dedicado a modelagem e boas práticas de DAX no Power BI.

Com o modelo em estrela, as medidas ficam simples e legíveis. Comece por OTIF. Supondo uma tabela Entregas com colunas booleanas NoPrazo e Completa, a medida do contador de entregas OTIF fica assim:

Entregas OTIF =
CALCULATE(
    COUNTROWS( Entregas ),
    Entregas[NoPrazo] = TRUE(),
    Entregas[Completa] = TRUE()
)

E o percentual, sempre com DIVIDE para evitar erro de divisão por zero quando não há entregas no filtro:

OTIF % =
DIVIDE(
    [Entregas OTIF],
    COUNTROWS( Entregas )
)

Repare que separei o contador da razão. Criar a medida base Entregas OTIF e reaproveitá-la deixa o código mais limpo e permite montar On Time e In Full isolados com a mesma lógica, trocando só o filtro. Medidas pequenas que se encaixam valem mais que uma medida gigante que ninguém entende seis meses depois.

Agora o custo por entrega. Com uma tabela Frete de custos e a granularidade de entrega vindo da própria Entregas:

Custo por Entrega =
DIVIDE(
    SUM( Frete[Custo] ),
    DISTINCTCOUNT( Entregas[IdEntrega] )
)

O DISTINCTCOUNT no denominador evita o clássico erro de contar a mesma entrega várias vezes quando a tabela de frete tem múltiplas linhas por entrega, como acontece em cargas fracionadas. É o tipo de detalhe que passa despercebido no piloto e vira reunião tensa quando o custo médio aparece dobrado.

Três hábitos de DAX que economizam retrabalho em painel de logística:

  • Use DIVIDE em vez de barra. Filtro sem dados é rotina numa operação segmentada por rota e transportadora, e a barra devolve erro na tela.
  • Padronize a tabela calendário. OTIF, custo de frete e giro comparados por período só fecham com uma dimensão de datas marcada como tabela de datas, ligada à fato por uma única chave.
  • Nomeie a intenção, não a fórmula. OTIF % e Custo por Entrega dizem o que o número é. Medida 1 custa horas de quem herda o arquivo.

Comece por uma tela, não por seis

O erro clássico é querer todas as camadas e todos os KPIs no primeiro entregável. O caminho que funciona é escolher a dimensão que mais dói, quase sempre nível de serviço via OTIF ou custo via frete sobre faturamento, resolver a fonte de ponta a ponta e entregar uma tela executiva confiável. Cada indicador novo reaproveita a camada de dados e o padrão de layout já construídos. Isso dá resultado rápido e evita o projeto de seis meses que nunca entra no ar. A página de Power BI detalha como estruturamos essa entrega por etapas.

Perguntas frequentes

Quantos indicadores devo colocar na tela principal do dashboard?

Poucos. A camada executiva raramente precisa de mais que quatro a seis KPIs, um por dimensão de decisão mais os desdobramentos essenciais do OTIF. O detalhe fica nas camadas tática e operacional, acessíveis por navegação ou drill. Encher a primeira tela é o jeito mais rápido de fazer o gestor desistir do painel.

Como organizo o layout para diferentes públicos no mesmo relatório?

Com páginas separadas por camada de decisão: executiva, tática e operacional. Mantenha a mesma ordem de blocos em todas, com nível de serviço em cima, custo no meio e produtividade embaixo. A consistência de posição faz o usuário achar o que procura sem reaprender a tela a cada página, e a segurança em nível de linha garante que cada perfil veja só o que deve.

Preciso de dados em tempo real no dashboard de logística?

Quase nunca. O acompanhamento de entregas em andamento pode pedir atualização frequente, mas OTIF, custo de frete, avarias e giro são indicadores de gestão que fazem sentido consolidados por turno ou por dia. Defina a frequência pela decisão que o número sustenta, não pela empolgação. Perseguir tempo real onde não muda a decisão só encarece o projeto.

Qual a diferença de OTIF, On Time e In Full no painel?

On Time mede só a aderência ao prazo e In Full mede só a completude. OTIF é a combinação dos dois, e é multiplicativo: a entrega precisa ser pontual e completa ao mesmo tempo para contar. Mostrar os três lado a lado é o que permite diagnosticar a causa, porque On Time bom com In Full ruim aponta problema de estoque ou separação, não de transporte.

Dá para montar o dashboard só com Power BI, sem data warehouse?

Para um piloto ou operação pequena, sim. Para produção com volume real e três fontes que precisam ser conciliadas, uma camada de dados intermediária é quase sempre necessária. Sem ela, o modelo fica lento, difícil de manter e frágil quando um sistema muda um campo. É onde entra a engenharia de dados.

Por que meu custo por entrega aparece dobrado no Power BI?

Quase sempre por contagem duplicada no denominador. Quando a tabela de frete tem várias linhas por entrega, como em cargas fracionadas, usar uma contagem simples infla o divisor ou o valor. Trocar por DISTINCTCOUNT no identificador da entrega e envolver a razão em DIVIDE resolve o problema e evita erro quando o filtro não retorna dados.

O painel bom é o que a operação abre todo dia

Dashboard de logística não é sobre ter o maior número de gráficos, é sobre decidir o que mostrar, para quem e em que ordem. Feche a lista de KPIs nas três dimensões, organize as telas por camada de decisão, resolva as fontes na camada de dados e escreva medidas DAX simples e legíveis. Comece por uma tela confiável e expanda a partir dela.

Se você quer estruturar isso na sua operação sem tropeçar nos erros clássicos de layout e modelagem, fale com a gente.

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