Como usar favoritos e marca dágua de dados no Power BI: passo a passo
Aprenda a usar favoritos e marca dágua de dados Power BI para organizar o consumo de relatórios, com passo a passo, erros comuns e boas práticas.
O relatório certo se perde no meio de dezenas de abas parecidas
Quem usa Power BI todo dia conhece a cena: você abre o Power BI Service, tem trinta workspaces, cada um com cinco ou seis relatórios de nomes parecidos, e o painel que você realmente precisa está três cliques abaixo de tudo. É aí que os favoritos e marca dágua de dados Power BI deixam de ser detalhe cosmético e viram ferramenta de produtividade. Favoritos resolvem o problema de encontrar o conteúdo rápido. A marca dágua de dados resolve um problema diferente e mais silencioso: o de alguém tomar decisão com base em número que não é real, achando que é.
Este é um tutorial prático. Vou mostrar quando usar cada recurso, o passo a passo dentro do serviço e do Power BI Desktop, os erros que aparecem sempre e as boas práticas que separam uma implantação organizada de um caos de abas. Nada de teoria vazia. Se você é analista, gestor de área ou responsável por sustentação de BI, sai daqui sabendo o que fazer amanhã de manhã.
Favoritos e marca dágua resolvem problemas diferentes
Vale começar separando os dois recursos, porque as pessoas confundem. Eles vivem na mesma tela, mas têm propósitos opostos.
Favoritos são um atalho pessoal. Você marca um relatório, um dashboard ou um app com a estrela e ele passa a aparecer numa lista dedicada, acessível de qualquer lugar do serviço. É como o botão de favoritos do navegador: privado, seu, não afeta ninguém.
Marca dágua de dados, ou dados de exemplo, é um aviso visual. Quando um conjunto de dados está usando dados fictícios, de teste ou de amostra, o Power BI exibe uma faixa avisando que aquilo não é produção. Serve para impedir que alguém confunda um ambiente de desenvolvimento com o relatório oficial.
| Aspecto | Favoritos | Marca dágua de dados |
|---|---|---|
| Objetivo | Acesso rápido ao conteúdo | Sinalizar dados não reais |
| Escopo | Individual, por usuário | Visível para todos que abrem |
| Onde se aplica | Relatórios, dashboards, apps | Conjuntos de dados e relatórios |
| Quem configura | O próprio usuário | Quem publica ou administra |
| Impacto na decisão | Agiliza o consumo | Evita decisão com dado falso |
A confusão de nome acontece porque, em português, "marca dágua" evoca aquela imagem clara sobreposta. No Power BI o efeito é mais direto: uma faixa de texto indicando que os dados são de exemplo. O ponto é o mesmo dos dois lados: dar contexto para quem consome.
Quando faz sentido usar favoritos
Nem tudo precisa virar favorito. Se você marcar quarenta relatórios, a lista de favoritos vira o mesmo caos que você queria evitar. A regra que passo para os clientes é simples: favorite o que você abre pelo menos duas vezes por semana e que não está a um clique de distância.
Casos onde favoritos ajudam de verdade:
- Você acompanha um painel de vendas diário que fica enterrado num workspace com dezenas de itens.
- Precisa alternar rápido entre o relatório financeiro e o operacional durante reuniões.
- Trabalha com apps distribuídos por outras áreas e não quer caçar o link toda vez.
- É consultor ou dá suporte e navega por vários ambientes de clientes diferentes.
Casos onde favoritar é desperdício:
- Relatório que você abre uma vez por mês no fechamento. Um link salvo resolve.
- Conteúdo que já está no seu workspace pessoal, à mão.
- Painéis que mudam de nome ou são recriados com frequência, porque o favorito quebra.
Favoritos são pessoais, então não substituem uma boa organização de workspaces e apps. Se a sua empresa depende de cada usuário favoritar as coisas certas para conseguir trabalhar, o problema não é falta de favoritos, é falta de estrutura. Isso se resolve com arquitetura de conteúdo e governança de dados, não com estrelinhas.
Passo a passo para marcar favoritos no Power BI Service
Favoritar acontece dentro do Power BI Service, no navegador ou no app. É rápido.
- Entre no Power BI Service e abra o relatório, dashboard ou app que você quer marcar.
- No canto superior direito da barra de cabeçalho, localize o ícone de estrela, que costuma vir com o texto "Favorito".
- Clique na estrela. Ela fica preenchida, sinalizando que o item foi adicionado.
- Para conferir, vá no menu de navegação à esquerda e clique em "Favoritos". Todos os itens marcados aparecem ali, com o tipo (relatório, dashboard ou app) e o workspace de origem.
- Para remover, basta clicar na estrela de novo, dentro do conteúdo ou direto na lista de favoritos.
Uma observação que economiza tempo: dashboards e relatórios têm a estrela em lugares levemente diferentes dependendo do layout da conta e das atualizações da Microsoft. Se você não achar de primeira, procure no menu de contexto dos três pontos ou na barra de ações do topo. A funcionalidade está sempre lá, só muda de posição entre versões.
Vale lembrar que favoritos acompanham a sua conta. Se você acessa o Power BI do computador do trabalho e do celular, a mesma lista aparece nos dois. Isso é ótimo para quem precisa checar um número rápido no meio da rua.
O que é a marca dágua de dados e por que ela importa
Aqui entramos no recurso menos conhecido e, na minha experiência, mais subestimado. A marca dágua de dados aparece quando um relatório ou conjunto de dados foi marcado como contendo dados de exemplo. O Power BI então exibe um aviso indicando que aquilo não representa dados reais de produção.
Por que isso importa? Porque o erro mais caro em BI não é o dashboard feio. É a decisão tomada em cima de um número errado que parecia certo. Imagine um gestor abrindo um relatório de faturamento em ambiente de homologação, cheio de dados de teste, e apresentando aqueles valores numa reunião de diretoria. A marca dágua existe justamente para cortar esse risco pela raiz.
Ela é especialmente útil em três cenários:
- Ambientes de desenvolvimento e homologação, onde os dados são sintéticos ou anonimizados.
- Templates e relatórios de demonstração compartilhados com áreas de negócio.
- Provas de conceito, onde o modelo ainda está sendo validado e os números não devem virar verdade.
Quem trabalha com engenharia de dados e mantém pipelines separados por ambiente sabe o valor de deixar explícito o que é real e o que não é. A marca dágua é a camada visual dessa separação, na ponta, para quem só consome.
Passo a passo para trabalhar com dados de exemplo e a marca dágua
A marca dágua de dados aparece automaticamente em alguns fluxos e pode ser controlada em outros. O comportamento depende da origem do conteúdo. Vou cobrir os caminhos mais comuns.
Quando você usa dados de exemplo no Power BI Desktop, como os datasets de amostra que a Microsoft disponibiliza, o próprio produto já sinaliza a natureza do conteúdo. O passo prático é:
- No Power BI Desktop, abra a tela inicial e procure a opção de experimentar com dados de exemplo.
- Carregue o conjunto de amostra. Ele vem identificado como dados de exemplo, não de produção.
- Ao publicar no serviço, o relatório mantém a sinalização, e quem abre entende que aquilo é demonstração.
Para relatórios que você mesmo cria com dados de teste e quer sinalizar como não produtivos, a boa prática é combinar recursos:
- Nomeie o workspace e o relatório com um prefixo claro, como "DEV" ou "HML", para reforçar o contexto.
- Use uma caixa de texto ou um cartão fixo no próprio relatório com o aviso "Dados de exemplo, não usar para decisão", já que você controla o visual do canvas.
- Aproveite os rótulos de confidencialidade e a organização por ambiente para deixar a separação inequívoca.
A Microsoft evolui esses comportamentos com frequência, então o mais importante não é decorar cada clique, e sim entender o princípio: dado não real precisa gritar que não é real. Se o produto sinaliza sozinho, ótimo. Se não, você complementa com nomenclatura e avisos no canvas.
Erros comuns que vejo na prática
Depois de muitos projetos de adoção, alguns tropeços se repetem. Fica a lista para você não cair neles.
Favoritar tudo. A lista de favoritos existe para destacar o essencial. Quando vira depósito de trinta itens, perde a função. Menos é mais.
Confiar em favoritos como estratégia de organização. Favorito é pessoal e não resolve descoberta de conteúdo para a empresa toda. Quem precisa que os usuários favoritem as coisas certas para achar relatório está mascarando um problema de arquitetura.
Ignorar a marca dágua e apresentar dado de homologação. Já vi número de teste virar slide de diretoria. A marca dágua está lá para evitar isso, então respeite o aviso e nunca desative a sinalização em ambientes de validação.
Não separar ambientes. Se dev, homologação e produção estão no mesmo workspace com nomes parecidos, nenhuma marca dágua salva. A separação começa na arquitetura, com workspaces distintos e permissões próprias.
Achar que marca dágua substitui governança. Ela é uma camada visual, não um controle de acesso. Dado sensível em ambiente de teste continua sendo dado sensível. Isso exige política de acesso e classificação, tema que trato no guia de governança de dados no Power BI e LGPD.
Boas práticas para organizar o consumo de conteúdo
Favoritos e marca dágua funcionam melhor dentro de uma estrutura bem pensada. Reúno abaixo o que recomendo para clientes que querem consumo organizado de verdade.
| Prática | O que fazer | Por que ajuda |
|---|---|---|
| Nomenclatura clara | Padronizar nomes de workspaces e relatórios com prefixos de ambiente | Reduz confusão antes mesmo de abrir |
| Uso de apps | Distribuir conteúdo curado via apps do Power BI | Entrega experiência limpa ao usuário final |
| Favoritos seletivos | Marcar só o que se usa toda semana | Mantém a lista útil |
| Marca dágua consistente | Sinalizar todo ambiente não produtivo | Evita decisão com dado falso |
| Rótulos de confidencialidade | Classificar conteúdo por sensibilidade | Reforça contexto e apoia LGPD |
| Revisão periódica | Limpar favoritos e ambientes de teste esquecidos | Impede acúmulo e ambiguidade |
O ponto central é que esses recursos são a ponta de um trabalho maior. Uma empresa com centenas de relatórios não organiza o consumo só com estrelas e avisos. Precisa de uma camada de curadoria: apps bem montados, workspaces por domínio, permissões coerentes e uma rotina de manutenção. É exatamente isso que estruturamos em projetos de Power BI e de sustentação de BI, onde a adoção depende tanto de arquitetura quanto de disciplina.
Se você está construindo essa base do zero, vale conferir também o nosso guia completo de Power BI para empresas no Brasil em 2026, que amarra esses recursos de consumo dentro de uma estratégia mais ampla de dados.
Perguntas frequentes
Favoritos no Power BI são visíveis para outras pessoas? Não. Favoritos são pessoais e ficam vinculados à sua conta. O que você marca aparece só na sua lista, em qualquer dispositivo em que você acesse o serviço. Ninguém mais vê nem é afetado pelas suas escolhas.
Posso favoritar um app inteiro, não só um relatório? Sim. O recurso de favoritos funciona para relatórios, dashboards e apps. Isso é útil quando você consome conteúdo curado que outra área distribui e não quer procurar o app toda vez que precisa dele.
A marca dágua de dados impede que eu use os dados? Não. Ela é um aviso visual, não um bloqueio. A marca dágua sinaliza que os dados são de exemplo ou de teste, mas não restringe acesso nem edição. O controle de quem pode ver o quê continua sendo função das permissões e da governança do ambiente.
Como remover a marca dágua de um relatório de produção que apareceu por engano? Se um relatório real está exibindo aviso de dados de exemplo, quase sempre a origem é um conjunto de dados marcado como amostra ou um template herdado. O caminho é revisar a origem do dataset, republicar a partir de dados de produção e garantir que o conteúdo não venha de um modelo de demonstração.
Favoritos substituem uma boa organização de workspaces? De jeito nenhum. Favoritos agilizam o acesso individual, mas não organizam o conteúdo para a empresa. Se os usuários só acham relatório porque favoritaram, o problema é de arquitetura. A solução passa por apps, workspaces bem divididos e curadoria, não por atalhos pessoais.
Esses recursos existem só no Power BI Service ou também no Desktop? Favoritos vivem no Power BI Service, porque dependem da navegação centralizada do serviço. Já os dados de exemplo e a sinalização associada aparecem tanto no Desktop, na hora de experimentar amostras, quanto no serviço, quando o conteúdo é publicado.
Comece pequeno e deixe a estrutura crescer certa
Favoritos e marca dágua de dados são recursos simples, mas resolvem dois problemas reais: encontrar rápido o que importa e nunca confundir dado de teste com dado de verdade. Se você é usuário, comece favoritando os três ou quatro painéis que abre toda semana e reforce o aviso em qualquer ambiente não produtivo. Se você é responsável pela plataforma, encare esses recursos como a camada final de uma organização que começa na arquitetura de workspaces e apps.
Na Fynx, com seis anos de mercado, mais de 50 clientes e mais de 2.000 soluções Microsoft entregues, a gente vê todo dia que adoção de BI não se resolve com truque isolado, e sim com estrutura bem montada. Se o seu ambiente Power BI já virou um labirinto de abas parecidas, fale com a gente e vamos organizar isso do jeito certo.
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