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Business Intelligence12 min de leitura

Como controlar o custo de frete com análise de dados

Como controlar custo de frete com BI: frete sobre faturamento, ocupação, custo por rota e transportadora e dados de CTe em painel para negociar.

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O frete come a margem e quase ninguém enxerga onde

Na maioria das operações logísticas que acompanho, o frete é a segunda ou terceira maior linha de custo, atrás de compras e folha. Ainda assim, é a linha que a diretoria menos controla com número. O time paga a fatura da transportadora, confere por amostragem, e no fim do mês sabe quanto gastou, mas não sabe por quê. Controlar custo de frete com análise de dados é justamente fechar essa lacuna: sair do valor total e chegar ao custo por rota, por transportadora, por veículo e por nota fiscal, que é onde a negociação acontece de verdade.

A boa notícia é que os dados existem e são padronizados. Todo transporte rodoviário de carga no Brasil gera um Conhecimento de Transporte Eletrônico, o CTe, modelo 57, documento fiscal obrigatório. Ele traz origem, destino, peso, valor da carga, valor do frete, tomador, emitente e a chave de acesso de 44 dígitos. É uma base de dados pronta esperando para ser usada. O problema quase nunca é falta de dado. É que o dado está preso em PDF, em XML na pasta do fiscal ou na planilha que o analista remonta na mão toda semana.

Este artigo mostra como transformar CTe e dados operacionais em um painel que serve para decidir e negociar, sem métrica de vaidade.

Os indicadores que realmente controlam custo de frete

Antes de falar de ferramenta, vale acertar o que medir. Painel bonito com métrica errada só dá falsa sensação de controle. Estes são os indicadores que sustentam uma conversa de redução de custo.

Frete sobre faturamento. É o indicador de topo. Divide o custo total de frete pelo faturamento do período. Serve para dar tamanho ao problema e comparar meses, filiais e canais. Sozinho ele não explica nada, mas é o número que a diretoria entende na hora e o que abre a discussão.

Frete peso e frete valor. São as duas componentes clássicas da tabela de frete. O frete peso é cobrado por faixa de peso ou por tonelada transportada em um trecho. O frete valor, também chamado de ad valorem, é um percentual sobre o valor da mercadoria e cobre o risco. Separar as duas é essencial, porque a alavanca de redução é diferente: frete peso melhora com ocupação e roteirização, frete valor melhora com renegociação de percentual e revisão de seguro.

Ocupação de veículo. Mede o quanto da capacidade contratada você de fato usou, em peso ou em cubagem. Veículo saindo com metade da carga é dinheiro jogado fora, e é o tipo de perda que só aparece quando você cruza a capacidade nominal do veículo com o peso e o volume embarcados. Cubagem costuma ser o gargalo antes do peso em cargas leves e volumosas.

Custo por rota. Agrupa o custo por origem e destino, ou por região. É o que mostra onde o frete está caro de forma estrutural, não pontual. Rota com custo por quilo muito acima da média quase sempre esconde baixa ocupação, transportadora mal contratada ou reentrega.

Custo por transportadora. Compara parceiros no mesmo trecho e nas mesmas condições. É a base objetiva da negociação. Quando você chega na mesa com custo por quilo transportado por rota, por transportadora, a conversa muda de tom.

IndicadorComo calcularPara que serve
Frete sobre faturamentoCusto total de frete / faturamentoDimensionar o peso do frete e comparar períodos
Frete pesoValor cobrado por faixa de peso ou tonelada x kmAvaliar ganho de ocupação e roteirização
Frete valor (ad valorem)Percentual sobre o valor da mercadoriaRenegociar percentual e revisar seguro
Ocupação de veículoPeso ou cubagem embarcada / capacidade do veículoIdentificar viagens subutilizadas
Custo por rotaCusto de frete / peso transportado por origem-destinoAchar trechos caros de forma estrutural
Custo por transportadoraCusto por quilo por trecho, por parceiroSustentar negociação com dado comparável

O CTe é a matéria-prima e o XML é o que importa

Muita empresa tenta montar controle de frete a partir do PDF do CTe ou do relatório que a transportadora manda. É retrabalho garantido. O que interessa é o arquivo XML do CTe, que segue o layout oficial da SEFAZ e traz cada informação em um campo estruturado. Dele você extrai, entre outros, o valor da prestação do serviço, o peso, o valor da carga, os CNPJ de emitente e tomador, os municípios e UF de origem e destino e a chave de acesso.

A partir desse XML você constrói uma tabela de fatos de frete, com uma linha por CTe, e liga a dimensões de transportadora, rota, cliente e calendário. Se a operação for grande, o volume de XML justifica uma esteira de ingestão automatizada em vez de importação manual. É exatamente o tipo de trabalho de engenharia de dados que faz o painel parar de quebrar toda vez que muda o mês.

Um ponto de honestidade: nem todo custo de frete está no CTe. Frete próprio, com frota da empresa, não gera CTe de terceiro, e o custo aparece em combustível, manutenção, pedágio e motorista. Se você tem frota própria e agregados, o modelo precisa unir CTe de terceiros com o custeio da frota, senão o comparativo entre fazer e contratar fica torto. Vale mapear isso no começo, num discovery e assessment.

Por que Power BI é a escolha padrão para esse painel

Poderia ser outra ferramenta, mas no mercado brasileiro o Power BI virou o padrão de fato para análise de custos, e por bons motivos. A Microsoft é reconhecida como Líder no Quadrante Mágico do Gartner para plataformas de Analytics e BI de forma consistente, e a penetração do ecossistema Microsoft nas empresas brasileiras faz com que a maioria já tenha Office, Azure e Active Directory, o que reduz atrito de adoção e custo de licença.

Do lado técnico, o motor do Power BI, o VertiPaq, comprime as colunas em memória por cardinalidade. Isso importa para frete porque a tabela de fatos tende a ter muitas linhas, mas colunas com boa repetição, como transportadora, UF e rota, que comprimem muito bem. Um modelo bem desenhado roda rápido mesmo com anos de CTe carregados, como detalhamos no guia completo de Power BI para empresas no Brasil.

Sobre licenciamento, sem inventar preço fechado, vale conhecer as opções reais. O Power BI Pro e o Premium por Usuário, o PPU, são licenças por usuário. Para publicar relatório para muita gente sem pagar por assento, existe a capacidade dedicada, hoje dentro do Microsoft Fabric, anunciado pela Microsoft em 2023, com SKUs que vão de F2 a F2048 e consumo medido em Capacity Units. As faixas de preço variam e mudam, então confirme sempre na fonte oficial da Microsoft antes de fechar orçamento. O ponto é que dá para começar pequeno, com Pro, e escalar depois.

O painel que serve para negociar, não só para olhar

Painel de frete que só mostra o passado é relatório caro. O que muda o jogo é o painel construído para a conversa de negociação. Na prática, ele precisa responder rápido a algumas perguntas.

  • Qual rota tem o maior custo por quilo transportado e por quê, baixa ocupação ou tabela cara?
  • Qual transportadora está fora da curva no mesmo trecho, comparada com as outras?
  • Onde o frete valor está pesando mais do que deveria dado o perfil de mercadoria?
  • Quais viagens saíram com ocupação abaixo de um limite aceitável no mês?
  • Como o frete sobre faturamento evoluiu por filial e por canal de venda?

Quando você senta com a transportadora levando custo por quilo por rota, ocupação média e comparativo com pares, você deixa de negociar no achismo. E internamente, o mesmo painel expõe as viagens subutilizadas que a roteirização pode consolidar. A tabela abaixo resume o caminho do dado até a decisão.

Fonte de dadoTransformaçãoIndicador geradoDecisão que habilita
XML do CTeExtração de campos e tabela de fatosCusto por rota e por transportadoraRenegociar tabela e trocar parceiro caro
Ordem de carga e capacidade do veículoCruzar peso e cubagem com capacidadeOcupação de veículoConsolidar cargas e revisar roteirização
Notas fiscais e faturamentoJunção por período e filialFrete sobre faturamentoDefinir meta e acompanhar tendência
Cadastro de mercadoria e ad valoremSeparar componentes da tabelaFrete valorRever percentual e apólice de seguro

Para o painel virar rotina e não morrer no terceiro mês, ele precisa de dado atualizado e de alguém responsável pela manutenção. É por isso que recomendo tratar isso como serviço contínuo, com sustentação de BI, e não como projeto que termina na entrega. Frete muda, transportadora entra e sai, tabela é renegociada, e o modelo tem que acompanhar.

Governança e LGPD não são detalhe no dado de frete

O CTe carrega CNPJ, e muitas operações cruzam frete com cliente, endereço de entrega e, em última milha, dados de pessoa física. Isso coloca o painel sob a Lei Geral de Proteção de Dados, a Lei nº 13.709/2018. Não é motivo para travar o projeto, é motivo para desenhar acesso e retenção com critério: quem vê o quê, por quanto tempo o dado fica, e qual a base legal para tratar endereço de entrega. Um painel bem governado define perfis de acesso por filial e mascara o que não precisa ser exposto. Tratamos o tema no artigo sobre governança de dados e LGPD no Power BI, com apoio do serviço de governança de dados.

O erro comum é começar pela ferramenta e não pelo dado

Vejo empresas comprando licença e contratando dashboard antes de resolver de onde vem o dado. Dá errado. O painel fica bonito na demonstração e falha no primeiro fechamento real, porque o XML não chega, a rota não bate ou a capacidade do veículo não está cadastrada. A ordem certa é inversa: primeiro garanta a ingestão confiável do CTe e o cadastro de veículos e rotas, depois modele, depois visualize. A visualização é a parte mais fácil e a última. É o que separa painel que dura de painel que vira print em apresentação.

Outro erro é confundir custo médio com custo por trecho. Média esconde. Você pode ter um frete sobre faturamento saudável no total e estar perdendo dinheiro em rotas específicas que a média dilui. O painel só entrega valor quando permite descer até a rota e a transportadora individual.

Perguntas frequentes

Preciso ter frota própria para montar esse controle?

Não. O controle funciona tanto para quem contrata transportadora quanto para quem tem frota própria. Com transportadora, a base é o CTe. Com frota própria, você monta o custeio por combustível, manutenção, pedágio e motorista. O ideal é ter os dois no mesmo modelo para comparar fazer com contratar em cada rota.

De onde vem o dado do custo de frete?

Do XML do CTe, o Conhecimento de Transporte Eletrônico modelo 57, que é documento fiscal padronizado e traz valor do frete, peso, valor da carga, origem, destino e as partes envolvidas. Para frota própria, o dado vem dos lançamentos de custo operacional. Complementa-se com o cadastro de veículos, rotas e o faturamento da empresa.

Quanto tempo leva para ter um painel de frete funcionando?

Depende muito da qualidade do dado de origem, não da ferramenta. Se o XML do CTe está organizado e o cadastro de veículos e rotas existe, um primeiro painel útil sai em poucas semanas. Se o dado está espalhado em PDF e planilha, a maior parte do prazo vai para a esteira de ingestão e a limpeza, que é o trabalho de engenharia de dados que sustenta tudo.

Qual licença de Power BI eu preciso?

Para poucos usuários que criam e consomem, o Power BI Pro costuma bastar. Para distribuir relatório para muita gente sem pagar por assento, entra a capacidade dedicada do Microsoft Fabric, com SKUs de F2 em diante e cobrança por Capacity Units. Os valores variam e devem ser confirmados na fonte oficial da Microsoft. A recomendação prática é começar com Pro e escalar conforme o número de usuários crescer.

O painel realmente ajuda a reduzir custo ou só mostra o passado?

Ajuda a reduzir quando é construído para a negociação. Ao expor custo por quilo por rota, ocupação de veículo e comparativo entre transportadoras no mesmo trecho, ele te dá o argumento objetivo para renegociar tabela, trocar parceiro caro e consolidar cargas subutilizadas. Painel que só mostra total gasto não muda comportamento. O que muda é o detalhamento por rota e por transportadora.

Como garanto que o painel não vire trabalho manual de novo?

Automatizando a ingestão do CTe e tratando o painel como serviço contínuo, não como projeto que acaba na entrega. Frete muda toda hora, tabela é renegociada, transportadora entra e sai. Sem uma rotina de atualização e alguém responsável pela sustentação, o painel desatualiza e o time volta para a planilha. Por isso ingestão automática e governança são parte do escopo, não extra.

Comece pelo dado que você já é obrigado a ter

O melhor de controlar custo de frete com dados é que a matéria-prima já existe e é obrigatória: o CTe. O que falta na maioria das operações não é dado, é a esteira que transforma esse XML em indicador de rota, de transportadora e de ocupação, e o painel que coloca isso na mesa de negociação. Feito com critério, esse controle se paga rápido, porque cada ponto de frete sobre faturamento recuperado vai direto para a margem.

Se você quer sair da planilha e montar um controle de frete que serve para negociar, fale com a gente. A Fynx tem seis anos de mercado, mais de 50 clientes e mais de 2.000 soluções Microsoft entregues, e desenha isso com você do dado bruto ao painel que a diretoria usa.

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